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O que a culinária nos ensina sobre Coaching profissional?

Qual é que é a semelhança entre culinária e coaching profissional? Os hobbies, alguma coisa que nós fazemos com prazer, com descontração, podem-nos ensinar muita coisa. Mas no caso da culinária, é muito mais do que isso.

Imagina que tu queres fazer aquele pão-de-ló maravilhoso que a tua avó fazia. Aquele cheirinho, aquela memória que nós temos da nossa infância. De repente, queremos recordar isso e voltar a sentirmos-nos crianças, e vamos directos para a cozinha. Só que vamos fazer ainda melhor. Nós sabemos quais são os ingredientes que a nossa avó usava e vamos ao melhor supermercado da nossa cidade e compramos os melhores ingredientes possíveis, porque o momento é especial.

Quando compramos os ingredientes, vamos para a bancada da cozinha e aí começa uma coisa que é criar, ou recriar, aquela experiência.

Imagina que compraste os melhores ingredientes possíveis, mas não sabes um pequeno detalhe, mas que é muito importante na confecção do teu bolo especial: a receita.

O que é que acontece se tens ingredientes extraordinários, não sabes a receita, e pões-te na aventura de criar um bolo tal e qual o da tua avó.

Colocas todo o teu empenho e começas a fazer o teu bolo especial. Mas há diferença entre teres ou não a receita, já que umas vezes o bolo sai bem, outras vezes não. Às vezes sai um bolo, outras vezes sai uma massa estranha que na verdade não é nada.

Mas… porque é que eu estou a falar sobre isto e porque é que isto é importante para nós como Coaches? Aquilo que eu vejo muitas vezes profissionais na área do coaching fazer, é tirar muitas formações de qualidade, mas depois não sabem a receita.

Ou seja, sabem todas as técnicas, todo o mundo a que podem ter acesso de ferramentas, e depois não sabem como introduzir esse processo na receita, num fluxo contínuo de transformação do cliente.

Qual é que é a receita? Qual é que é o método? Onde é que eu tenho que utilizar esta ténica? Onde é que a outra técnica não faz sentido nenhum?

Isto tudo faz-me perceber que muitas vezes os coaches estão desesperados, a tentar aplicar as ténicas que aprenderam, que os fascinaram a eles, que os transformaram a eles. Mas que na verdade, naquele momento concreto podem até não fazer sentido nenhum para o cliente, pode até não ser útil para o cliente. E muitas vezes confundimos a questão de ter muitas técnicas com ter a receita certa.

Aliás, eu costumo dizer: “Coach, se estás no ínicio da tua carreira, ou se estás a reformular a tua carreira, técnica a mais só vai confundir o teu modelo. Faz com que fiques fixado só na técnica e não naquilo que é a implementação, estar em contacto com o teu cliente.”.

Quando eu tenho uma técnica e a começo a aplicar na primeira sessão, impecável. Na segunda, óptimo. Na terceira, tudo bem. Mas à medida que vão avançando eu descobri uma coisa que é o que eu chamei o Síndrome da Sétima Sessão. Quando o Coach secretamente deseja por qualquer motivo, que nem ele próprio sabe explicar, que o cliente falte à sessão. Uma coisa que é a nossa paixão, quase que desejamos que a pessoa não vá.

Acontece porque na primeira, segunda, terceira, quarta, quinta, sexta sessão começamos a atirar técnicas, sempre a tentar impressionar o cliente, mas não conseguimos perceber de facto a progressão. E porque é que isso está a acontecer? Porque não há receita.

O que é que é a receita num processo de coaching? É método. É estrutura. Qual é que é o passo a passo que devo desenvolver, para no final o bolo dar igual?

Se eu entretanto tive um processo com um cliente que funcionou extremamente bem, o que me garante que na semana seguinte, com outro cliente, corra igualmente bem? É essencial ter método, estrutura de coaching.

Eu vejo muitas pessoas no mercado que não têm método. Sei isso porque muitas passam pelo nosso Instituto Eneacoaching, trazem uma certificação e dizem “Eduardo, estou no mercado há cinco anos, há dois anos, mas sinto-me perdido.”. Claro que há pessoas um pouco mais desenrascadas, que neste caso não é uma vantagem, porque a médio prazo o que vão sentir é que lhes vai faltar estrutura para trabalhar na área do coaching, estrutura para fazer uma carreira – que é diferente de fazer umas sessões. Mas há sempre um cliente que vai desafiar, há sempre um momento em que tu também vais ser desafiado, e sem método este processo não é fácil.

Ou seja, há um momento em que estás inspirado e vens para a cozinha, agarras nos ingredientes e de repente sai um bolo. Até melhor do que o da tua avó. Mas às vezes não sai bolo nenhum, que as pessoas até podem gostar, mas nós não gostamos. Faltava aqui qualquer coisa.

Coaching profissional é sobre isto, é sobre ter uma receita, é conseguirmos ajudar o cliente a ter uma estrutura, um passo a passo, que o faça chegar a um resultado que é previsível. Isso facilita-nos a nós, mas também o cliente, porque ele também é responsável na execução dessa receita.

Portanto, tudo o que seja coaching profissional, eu só aceito com estrutura, com método, porque sem isso é uma questão de sorte.

Eu conheço alguns colegas e amigos que dizem que usam a intuição. Mas como é que isso funciona nos dias em que estás mais em baixo? Funciona que sem querer, às vezes, estás a dar a solução ao cliente. Estás tu a ultrapassar aquilo que tu sabes que é o limite do coaching. Em vez de extraires as soluções do cliente, estás a colocar nele as tuas soluções.

E atenção, que ter método não significa que perdes liberdade. É aquilo que te dá liberdade. Aí sim, para usar a tua intuição, para estar cara a cara com o cliente e a navegar com o GPS que é controlável.

Da mesma forma que podes estar a fazer a tua receita maravilhosa, com os melhores ingredientes, e no meio da receita colocares um alteração. Sabes que vai ter um paladar diferente. Mas tu sabes que vai ser um bolo no final.

Olha para a culinária e percebe que o coaching é não só ter as técnicas certas, mas também a receita certa.

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